segunda-feira, 24 de abril de 2017

Asa de Borboleta







Na asa da borboleta
voa a primavera
um elo entre rosa e amarelo
recortes geométricos 
liberdade celestial
Na asa de
leve bordado
flores ancestrais
um tempo eterno
de segredos e impressões
Na asa da liberdade
uma borboleta vai
ao encontro
de sonhos do amor
Voa em busca da paz!

Paula Belmino




Alice usa Dedeka
fotografia de Flávia Alves


domingo, 23 de abril de 2017

Uma borboleta e sua vida espetacular




Colorindo, encantando
Beija a flor sem alardes
Mas sabe que é demasiadamente importante
É da flor o par
Quando é lagarta, é força e vigor
É rápida a transformar alimento em cor
Entra em seu casulo
E mesmo solitária chama atenção
Quem atrapalharia o sono 
De uma lagarta em transformação?
Cálida, fiando sonhos de paz
No seu sono profundo pensa trazer o mais belo, 

o melhor de si para todos em volta
É borboleta desde o primeiro pensamento
Viveu a vida pra colorir e fecundar
E abriu as asas transbordadas de estrelas do céu e do mar
Tudo que se possa imaginar

Trabalho sempre lhe espera
Quem vê a borboleta pensa:
Nasceu pra encantar!
E ela porém, sabe que tem nas asas o dom da vida
Na boca o hálito do amor
Mesmo saída do casulo é toda enclausurada,
não vive longe da flor
Fia, rega, come, bebe, protege, colore, voa, emerge em sua dor
Não cansa, tem uma missão
De tudo ao redor fazer feliz
E cuidar do mundo que criou.
É borboleta
É feito beijo de Deus
Semeando liberdade e vida
Em pequenos ninhos
Nas plantas pelo caminho
Nos olhos de quem a vê
Borboleta encantadora
É mãe da natureza e de todo ser.

Paula Belmino 
.
Essa Poesia ofereço à minha mãe Cicera Simoes que é a borboleta mais bonita de nossa vida, trazendo perfume do amor por onde passa, e criando histórias de afeto, vida plena em muitos sonhos.
Feliz aniversário, muita luz, saúde e a presença de Deus abundante sobre sua vida.

sábado, 22 de abril de 2017

Dentro do girassol






A luz do sol
colore  o olhar
da menina
a voar.
Leve, em seus pensamentos
feito pluma
feito folha ao vento
como ave a bailar.
No arrebol
A menina ao sol
vem e vai,
gira em seu balé
dentro do girassol.
Onde gosta de estar.
Sob o sol de abril
a vida a passar
 principia a paz
perfumada, 
delicada,
pueril.
É preciso cuidado
 qualquer passo em falso
o girassol pode não abrir
e a menina em sua roda cair.
A menina e o girassol,
um casamento perfeito
brincam, enfeitam
feito natureza espreitam
ares de céu.
Sempre ao sol
a menina e o girassol
como ave a menina a cantar
e a música da vida
o girassol sabe expressar.
Vão os dois
menina e girassol
a girar
bailando, brincando,
aceitam toda luz
que o sol quiser neles brilhar.
A menina é ave
é paz
é vida que gira
dentro do girassol
O girassol é vida que se sabe aproveitar
é flor delicada
é ave em arrebol.
Fina flor o girassol
esperando ansioso o sol
antes que se achegue o luar.

Paula Belmino



*Alice usa Bugbee






Essa poesia foi inspirada nesse look lindo cheio de girassóis. Considerada a flor do sol, é uma planta fácil de cultivar e tem muita beleza, e energia em cor que transmite encantamento e força, vida e felicidade. Quando recebemos o look da Bugbee pensamos logo em mais que moda, em vestir bem a Alice, sempre aliamos o que usamos com a arte, com a poesia, e incentivamos nossa criança a ter esse olhar ao belo, às coisas da vida, à poesia, á natureza, o poético , o sagrado.
Vestir girassol é mais que estar colorida para nós tem essas referências artísticas mundiais!
Creio que mais que consumir, vestir-se bem , estar em dia com a moda é criar para as criança o lúdico no vestuário e as referências da arte e da natureza para dias felizes e mais preocupados com os relacionamentos interpessoais



O poeta Manoel de Barros criou uma linda composição com a vida e a fertilidade, o que de bom pode receber dos céus, mesmo quando em tempos de crise, ou em meio à guerras, ás lutas, à violência de nossos dias.
Em seu poema: Os girassóis de Van Gogh, Manoel de Barros faz alusão às guerras, as mortes causadas por armas bélicas e na sutileza mostra todo amor que a natureza é capaz de nos dar, a paz que é como flor, fina, frágil, delicada , e que de repente pode se esvair de nós.O autor faz a referência intertextual à obra: Doze girassóis numa jarra do artista Vincent Van Gogh,1888 na mesma época em que o autor cortou sua orelha pelo estado grave de depressão em que se encontrava. 
É preciso mais amor, poesia, brincadeira, olhar para o outro com solidariedade para enfrentarmos os dias difíceis, as lutas espirituais sem perdemos o alvo, o foco, a paz, a fina flor do amor.


OS GIRASSÓIS DE VAN GOGH

Hoje eu vi 
Soldados cantando por estradas de sangue 
Frescura de manhãs em olhos de crianças 
Mulheres mastigando as esperanças mortas

Hoje eu vi homens ao crepúsculo 
Recebendo o amor no peito. 
Hoje eu vi homens recebendo a guerra 
Recebendo o pranto como balas no peito.

E, como a dor me abaixasse a cabeça, 
Eu vi os girassóis ardentes de Van Gogh.
- Manoel de Barros, no livro "Face imóvel" (1942), em 'Poesia completa: Manoel de Barros'. São Paulo: Editora Leya, 2010.



sexta-feira, 21 de abril de 2017

Caiu na rede é... Poesia!!!




Ser Livre
Deito livro
Acordo livro
Bebo livro

Como livro
Respiro livro
Vivo livro
Livre sou!

Ler na roda
Na rua
Rendido na rede
Esse livro de amor!



Paula Belmino




Hoje é feriado. Hoje é dia de ler! 
Convidei amigas de Alice , primas e crianças da escola pra vir ler aqui em casa pra uma linda roda de leitura, direito à música, brincadeira, recitar poesia, e o que eles mais queriam: poesia na rede,pois a gente precisa de poesia na roda, na rua, na vida!
Dispus os livros numa colcha de retalhos, eles leram á vontade, depois escolhi 3 a 4 livros, recitei, contei histórias, brincamos de viver poesia.
Por fim as crianças escolheram uns versos curtos pra recitar na rede, em duplas, trios, pra todos.













Assistam um dos vídeos:




Agradeço às editoras e escritores parceiros que proporcionam momentos como esses com as crianças que tanto precisam de poesia :

Editora Bambolê
Editora Aletria
Editora Pulo do Gato
Editora Rovelle
Pablo Morenno Editora Physalis
Eloí Bocheco
Roseana Murray
Anderson Novello com seu livro A bruxa do Batom Borrado

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Caiu na rede é... Poesia. Momento literário











Caiu na rede... não é peixe
É poesia que eu quero fazer
É pescar o mundo com as mãos
No livro voar ao ler
É ter o aconchego na rede
No balanço frenético do amor
Acalentando sonho,
nuvens, árvores, estrelas
tudo ali bem perto do coração.

Caiu na rede... é poesia
é ler aninhando 
no vai-vém de uma canção
na rima, no som, nos trocadilhos das palavras
 brincar ao ler com emoção
Vestir-se de poesia
o corpo todo na rede rendido
cheio de poesia que embala
que dá a infância o sentido

Ler na rede 
No chão
debaixo da árvore, 
sentado, deitado, pulando
de poesia em poesia
na rede pescando!

Paula Belmino


 Essa foi nossa aula ontem, um momento literário na rede embaixo das árvores do jardim da escola, fizemos um recital poético, onde as crianças liam em voz lata para os outros, de três em três, de dois em dois, depois liam todos, embalados na rede, no amor à poesia.
Aproveitei para inaugurar lá essa ação literária: Caiu na rede ... é poesia  aproveitando todo o contexto dos conteúdos trabalhados, no caso, a cultura indígena, levei alguns livros que falavam sobre índios como: Poeminhas da Terra de Márcia Leite , pela editora parceira Pulo do Gato
Cobra Norato de Eloí Bocheco
e Pitulú de Bê e Léo Maciel pela Aletria

As crianças depois puderam ler os livros da biblioteca que chegaram pelo projeto RoMaria de Livros e e se esbaldaram.

Vejam só:











Em comemoração ao dia do índio, falamos sobre a importância do povo indígena e a contribuição na língua, comida, artesanato. Li o poema Cadê o índio que tava aqui? De minha autoria, as crianças fizeram a reescrita do poema e surpreenderam na produção. Aliamos o conteúdo ao livro didático sobre a cultura indígena e o trabalho dia a dia, materiais e extrativismo. 
Aprendizagem significativa, lúdica e reflexiva.

Assistam:


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Cadê o índio que estava aqui?



1,2 3 indiozinhos
na mata sozinhos
viram a onça
e correndo na árvore subiram
lançaram flecha
a onça fugiu.

1,2,3 indiozinhos
no rio valentes
cantavam pra Tupã
e cada um com sua  lança
levaram um peixe só.

1,2,3 indiozinhos
na mata plantavam sementes
colhiam apenas as frutas maduras
as ervas pra dor
e ali mesmo em suas casas
mandaram fumaça aos deuses  do amor.

1,2,3 indiozinhos
bem sozinhos
já nem sabem lutar
a floresta escassa
no rio peixes não há.
Da onça já nem sentem medo
ela não vem mais lhes procurar.
1,2,3 indiozinhos que tristeza que dá
a cara pintada na luta
o corpo coberto de roupas
de homem branco a língua nova a falar.

a casa que era de palha
tijolos e areia cimentou.
E agora não mais livres
1,2,3 indiozinhos
apitos silenciou
Onde estão os indiozinhos que no bote nadavam?
Acho que a onça os levou!


Paula Belmino




 Bem mais que pintar as crianças de índios e sair por aí a cantar é necessário refletir sobre a cultura, a vida, a extinção de tribos inteiras e atentar-se para lutar com eles pelo direito de sobrevivência de sua própria identidade!

E para trabalhar com as crianças toda importância da cultura indígena para nossa sociedade deixo a dica do livro Poeminhas da Terra de Márcia Leite pela editora parceira Pulo do Gato Editora




O livro com ilustrações em traços delicados e cheios de natureza em perfeita harmonia homem e animais traz versos curtos ricos em palavras da origem Tupi, fazendo a gente refletir sobre a causa do índio em sua luta pela terra, pela natureza, pela própria sobrevivência.
Para as crianças uma maravilhosa maneira de falar sobre essa arte ancestral, sobre o descobrimento das palavras e de como nosso país foi tomado, deixando os índios à deriva
De maneira simples a escritora brinca com a cultura e a arte indígena levando ao prazer pela leitura e pela conscientização do meio ambiente e do respeito aos indígenas, além de ser um livro muito bom para alfabetização, não deixando de lado que mesmo o leitor bem fluente tem muito a aprender com o lúdico e a singeleza que este livro traz e o grande poder de reflexão nas entrelinhas.


Vai pra escola comigo e com outros livros que falam sobre a cultura indígena e as crianças vão amar com certeza!!!!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Dandi e a árvore palavreira (dica de Livro)



Dandi era um menino diferente, apaixonado pelas palavras, de uma família de 5 irmãos, todos viviam no sítio  Sol da noite, criados ao lado dos pais , tia Tonha e Vô  Chico



Seu avô Chico lhe contava muitas histórias, encantadas, lendas trazidas pelos seus antepassados, índios, negros, raça misturada, e Dandi ficava ali ao lado do avô com os olhos brilando a querer saber tudo, que significava cada palavra.


Dandi era o menor dos irmãos, a raspa do tacho como dizia sua mãe, além dele tinha Janaina, e Jussara, nenhum deles no entanto iam á escola, pois escola era pra quem podia pagar, e era na cidade, os pais não tinham condição de mandá-los todos estudar então nenhum ia, ficavam ali tendo aulas com a tia Tonha , que se formara em professora deixara a cidade e voltou a viver no sítio. Quando tia Tonha estava livre das panelas a fazer compotas e doces de frutas e a cuidar da casa, dava aulas ali mesmo na cozinha aos sobrinhos.


Dandi era o que mais desejava estudar, conhecer uma escola, e embora a lida , o carrear água, o plantar, o cuidar de animais fosse bom aprender com os pais, ele sonhava ir além



Depois de tanto sonhar com as histórias de seu avô Chico, os pais resolveram mandar Dandi para cidade ,afinal viam no menino um talento especial para a poesia, para as palavras, para o estudo.
Antes de deixar o sítio seu avô lhe levou num lugar no meio da mata que tinha uma árvore que dava frutas palavras, e ali contou a história daquela árvore milagrosa que na verdade era um índio que se apaixonara no passado por uma moça branca, mas como o pai da moça era severo não puderam namorar , mandou atear fogo na aldeia, graças ao aviso do pajé o jovem índio se salvara, mas a jovem achando que o índio morrera queimado acabou também morrendo de amor. O pai enterrou sua filha junto com as cartas que ela recebia do índio, e passando um tempo o índio vinha chorar na sua cova, nascendo em seu lugar uma árvore que dava palavras.





Vivenciamos a história num sítio aqui da cidade rodeado de natureza e perto de uma casa amarela como no conto: Dandi e  a árvore palavreira de Ana Cristina de Melo com ilustrações de patrícia Lima que recebemos da Editora Bambolê , e as crianças Alice, Anayara, Matheus e sua família fizeram parte desse momento lindo que dou aqui o nome de "Bemdita Poesia" no sentido amplo da palavra, uma ação que agora nosso blog fará que é levar a boa poesia , o vestir-se  ao ler e a sentir a história com participação em reescrever, em atuar, em ler em meio à natureza, ou mesmo na simplicidade do lar um verso Bem dito, uma poesia sentida, falada, amada, vestindo a alma.
Além das crianças os adultos por trás das câmeras, tios, tia, mãe de nossa amiga Vitória Lópes dona do sítio vivenciaram essa poesia cheia de alento e encanto como deve ser nesses dias cheios de coisas tristes!

As crianças puderam escrever as palavras que as transforma, o que de bom aprendem com os pais e avós assim como Dandi, brincaram, encenaram e viveram a linda história desse livro, que transformou a de Dandi na ficção, mas que é bem real em tantos lugares do Brasil e do mundo.






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